Disputado, leilão de transmissão tem MEZ como principal vencedora – VALOR

Por Letícia Fucuchima e Gabriela Ruddy — De São Paulo e do Rio


Zarzur, da MEZ: “Queremos nos consolidar como um grande ‘player’ do setor” — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Marcado por forte competição, o primeiro leilão de transmissão deste ano teve como vencedores grandes grupos do setor elétrico, uma transmissora em ascensão e uma estreante chinesa.

O principal destaque do certame foi a MEZ Energia, empresa criada por membros da família Zarzur, fundadora da incorporadora EZTec, que fez sua grande estreia no leilão de dezembro do ano passando, quando levou para casa cinco projetos.

Desta vez, a MEZ decidiu adotar uma postura mais seletiva, focando nos lotes 3 e 5, que faziam mais sentido para sua carteira atual de ativos por envolverem instalações no Mato Grosso e em São Paulo. A ideia é aproveitar sinergias de operação e manutenção (O&M) com projetos que estão sendo desenvolvidos em regiões próximas.

Com as novas aquisições, a MEZ já passa a ter onze projetos de transmissão em seu portfólio, que somam cerca de R$ 3,4 bilhões em investimentos regulatórios (estimados pela Aneel) para os próximos anos. A maioria dos empreendimentos está em execução e um já está operacional – a subestação Porto Alegre IV, que era da estatal CEEE e ainda terá que passar por reformas e melhorias.

Criada em 2019, a MEZ tem como acionistas Marcos e Maurício Zarzur – filho e neto, respectivamente, de Ernesto Zarzur, fundador da EZTec, mas não há relação entre a empresa de energia e a incorporadora. Mesmo com pouco tempo de vida, a MEZ vem se esforçando para despontar no setor e se tornar um agente relevante.

“Nosso primeiro objetivo é nos consolidarmos como um grande ‘player’, com foco no segmento de transmissão, que é onde nos especializamos. Por conta das sinergias, também temos a intenção de ter um braco de geração de energia, estamos tocando isso para o médio prazo”, afirma Maurício Zarzur, CEO da MEZ.

O grupo planeja desenvolver projetos de geração próximos a seus ativos de transmissão, a fim de garantir a conexão com a rede. Os primeiros passos estão sendo tomados. Seu recém-inaugurado centro de operações, na capital paulista, já está apto a operar unidades solares e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). A companhia também está perto de fechar o arrendamento de dois terrenos voltados a empreendimentos de geração. “Mas a viabilização desses projetos é mais para o médio prazo”, ressalta Zarzur.